Almoço com o Senhor Governador do Banco de Portugal, Prof. Doutor Álvaro Santos Pereira
Dia 20 de abril de 2026 | Hotel Sheraton Lisboa
Main Sponsors: Accenture, Millennium bcp | Gold Sponsor: EY
Pode ver a apresentação AQUI
A AmCham Portugal recebeu o Governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, para um almoço-debate dedicado às perspetivas para a economia portuguesa num contexto de crescente incerteza geopolítica e volatilidade económica internacional.
Após a sua intervenção inicial, seguiu-se um fireside chat moderado por Emanuel Agostinho, Managing Director da Accenture, terminando a sessão com um período de debate aberto, que permitiu uma troca de perspetivas entre o Governador e os participantes.
Os nossos Takeaway:
Aumento da Incerteza e Pressões Geopolíticas
O Governador começou por destacar que os atuais níveis de incerteza económica e risco geopolítico se encontram acima dos registados em fevereiro de 2022, aquando do início da invasão da Ucrânia. Este contexto tem sido acompanhado por uma deterioração do sentimento de mercado e por um aumento da volatilidade, particularmente visível nos mercados de matérias-primas.
Foram ainda referidos exemplos concretos das disrupções nas cadeias de abastecimento, como as dificuldades nas importações de hélio (recurso crítico para a indústria dos semicondutores) e as pressões nos mercados energéticos, com subida dos preços do petróleo e do gás natural, bem como níveis reduzidos de armazenamento de gás na Europa, próximos dos registados em 2022.
Inflação, Energia e Riscos para 2026
No que respeita à inflação, o Governador antecipou um aumento em 2026, impulsionado por pressões externas, após um valor de 2,2% em 2025. O balanço de riscos agravou-se desde o final de 2025, sendo predominantemente descendente para a atividade económica e ascendente para a inflação.
Entre os principais fatores de risco identificados, destacam-se o agravamento das tensões no Médio Oriente, o aumento das tensões comerciais globais, eventuais dificuldades na execução do PRR, bem como o impacto dos investimentos europeus em defesa e infraestruturas.
Crescimento Económico e Desafios Estruturais
Relativamente à economia portuguesa, foi referido que o crescimento deverá manter-se, embora a um ritmo moderado, com a procura interna a continuar a desempenhar um papel central.
O Governador sublinhou, contudo, a necessidade de reforçar o peso das exportações na economia nacional, afirmando que “crescer 2% ao ano é bom, mas não é excelente”, e que um país com a dimensão de Portugal deveria apresentar níveis de exportação significativamente mais elevados.
A atual fragilidade das exportações ocorre num contexto de elevada incerteza e crescente concorrência internacional, nomeadamente por parte da China.
Resiliência e Ajustamento da Economia Portuguesa
Apesar dos desafios, foram também destacados vários desenvolvimentos positivos na economia portuguesa, incluindo a melhoria do excedente externo – impulsionado por transferências europeias em níveis historicamente elevados – e a redução da dívida pública.
O Governador salientou ainda que a economia portuguesa apresenta hoje maior capacidade de absorção de choques externos, refletindo o processo de ajustamento ocorrido na última década: “Portugal aprendeu com a crise da dívida”.
Foi igualmente referida a maior resiliência das cadeias de abastecimento globais e a redução da dependência energética de Portugal, num contexto que tem vindo a acelerar a transição energética.
Europa: Competitividade, Reformas e Produtividade
No plano europeu, o Governador deixou alertas claros quanto à necessidade de reforçar a competitividade e acelerar a implementação de reformas estruturais. Destacou o atraso da Europa face aos Estados Unidos e à China em áreas como a inteligência artificial e a produtividade, sublinhando que “a Europa não está sequer perto dos calcanhares dos EUA”.
Foi também enfatizada a importância de passar da análise à execução: “Na Europa somos ótimos em relatórios e péssimos a implementar”.
Prioridades de Política Económica
Nas suas considerações finais, o Governador sublinhou que, no curto prazo, será essencial monitorizar a evolução da inflação e evitar efeitos de segunda ordem.
Neste contexto, destacou o papel dos bancos centrais na manutenção da estabilidade dos preços e das expectativas de inflação, bem como a importância de eventuais medidas governativas serem temporárias, direcionadas e prudentes.
A AmCham Portugal agradece ao Governador Álvaro Santos Pereira, aos patrocinadores Accenture, Millennium bcp e EY, e a todos os participantes pela presença neste importante almoço-debate.