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Arquivado: Bridging the Atlantic: Banking Trends Shaping US & Europe

Bridging the Atlantic: Banking Trends Shaping US & Europe

22 de setembro de 2026 | 08h45 – 10h45

Patrocínio: AON | Apoio: Cuatrecasas
A AmCham Portugal, em colaboração com a Comissão de Serviços Financeiros, promoveu a sessão “Bridging the Atlantic: Banking Trends Shaping US & Europe”, dedicada aos principais desafios que estão a transformar o setor bancário nos Estados Unidos, na Europa e em Portugal.
Num contexto marcado pela aceleração tecnológica, pela evolução dos sistemas de pagamentos, pelo aumento dos riscos de cibersegurança e por um enquadramento regulatório cada vez mais complexo, o encontro proporcionou uma reflexão sobre a capacidade de adaptação do setor financeiro e sobre o equilíbrio entre inovação, resiliência e competitividade.
A sessão contou com as boas-vindas de Luís Miguel Cortes Martins, Senior Partner da Cuatrecasas, e de António Martins da Costa, Presidente da AmCham Portugal, seguindo-se um painel moderado por Leslie Rubio, Citi Country Officer Portugal, com a participação de João Pedro Oliveira e Costa, Presidente Executivo do Banco BPI, e Paulo Moita de Macedo, Presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos.

Principais reflexões da sessão

  • A inovação financeira traz novas oportunidades, mas também novos riscos
  • A transformação digital está a alterar rapidamente a forma como os clientes interagem com os bancos, como realizam pagamentos e como acedem a serviços financeiros.
  • A evolução das transferências imediatas, das carteiras digitais, da tokenização de depósitos e da IA está a acelerar a transformação do setor. Ao mesmo tempo, esta evolução coloca novos desafios em matéria de segurança, fraude e proteção da confiança no sistema financeiro.
  • Durante o debate, foi sublinhado que a inovação deve ser acompanhada por uma avaliação cuidadosa dos seus impactos, sobretudo quando estão em causa infraestruturas essenciais ao funcionamento da economia.
  • A cibersegurança foi identificada como uma das principais preocupações para o setor bancário. À medida que aumentam a velocidade das transações e a quantidade de dados disponíveis, aumentam também as oportunidades para melhorar os serviços prestados aos clientes, mas igualmente a exposição a novos riscos.
  • Neste contexto, a IA poderá desempenhar um papel relevante, nomeadamente na capacidade de analisar informação e compreender melhor as necessidades dos clientes, permitindo desenvolver experiências e serviços cada vez mais personalizados.
O desafio está em equilibrar inovação e resiliência
Um dos temas transversais ao debate foi a necessidade de encontrar um equilíbrio entre a velocidade da transformação e a robustez do sistema financeiro.
A evolução tecnológica está a alterar modelos de negócio e a introduzir novos operadores no setor, mas os bancos continuam a desempenhar uma função central na estabilidade e no funcionamento da economia.
A discussão destacou, por isso, a importância de preservar a confiança e a resiliência do sistema enquanto se acompanha a transformação tecnológica.
Como foi sintetizado durante o painel, “somos todos a favor da inovação, mas quando estamos a tocar naquilo que é a essência da nossa sociedade, temos de ter muito cuidado.”
Portugal continua a depender fortemente da banca para financiar a economia
Outro dos temas centrais foi o papel estrutural da banca no financiamento da economia portuguesa.
No caso da Caixa Geral de Depósitos, cerca de 95% do funding total tem origem em depósitos, refletindo a importância desta base de financiamento para a atividade do banco.
O debate destacou também que as empresas dispõem de diferentes formas de financiamento – desde o crédito bancário e os mercados de dívida até ao private equity e ao venture capital – mas que estas alternativas não apresentam, em Portugal, a mesma profundidade que em outros mercados.
Neste contexto, foi salientado que “a banca colmata estas quatro falhas de mercado”, reforçando o papel dos bancos no financiamento de empresas e projetos de diferentes dimensões.
A própria relação com os clientes está também a evoluir. Como foi referido durante a sessão, os clientes já não comparam apenas depósitos entre si, mas diferentes aplicações financeiras tendo em conta o risco e o retorno potencial.
EUA e Europa apresentam modelos financeiros estruturalmente diferentes
A comparação entre os dois lados do Atlântico esteve no centro da conversa.
Nos Estados Unidos, o mercado de capitais e o investment banking assumem um papel muito mais relevante no financiamento da economia, enquanto na Europa a banca tradicional continua a ter um peso significativamente maior.
Esta diferença reflete-se também no comportamento dos clientes, nas fontes de financiamento das empresas e no nível de competição entre diferentes operadores financeiros.
No mercado norte-americano, a maior participação dos investidores nos mercados de capitais cria uma estrutura de financiamento mais diversificada, enquanto em Portugal e em muitos mercados europeus os depósitos e o crédito bancário continuam a ocupar uma posição central.
O debate destacou, assim, a importância de analisar a competitividade da banca europeia não apenas à luz da realidade interna da União Europeia, mas também tendo em conta a competição com grandes mercados financeiros globais, nomeadamente os Estados Unidos e a China.
Simplificar a regulação sem comprometer a estabilidade
A regulação foi outro dos temas centrais da discussão.
Os participantes reconheceram a importância de um quadro regulatório robusto para garantir a estabilidade e a confiança no sistema financeiro, mas alertaram igualmente para os riscos associados à complexidade e à fragmentação regulatória.
No contexto europeu, a existência de diferentes níveis e estruturas de supervisão pode limitar a agilidade dos bancos e criar obstáculos à capacidade de competir num mercado financeiro global.
O desafio passa, por isso, por encontrar um equilíbrio entre robustez regulatória e competitividade, identificando as áreas em que a simplificação poderá ter maior impacto.
Como foi defendido durante o painel, não será necessário transformar todo o sistema de uma só vez: será importante identificar os principais obstáculos e atuar de forma progressiva sobre aqueles que mais condicionam a capacidade de investimento e financiamento da economia.
Entre estes temas, o capital foi identificado como uma questão particularmente relevante, tendo em conta o seu impacto na capacidade dos bancos para conceder crédito e apoiar o investimento.
Uma banca forte é essencial para uma economia resiliente
Ao longo da sessão foi igualmente reforçado o papel dos bancos para além da sua função tradicional de intermediação financeira.
A banca desempenha um papel relevante no financiamento da habitação, das empresas e da economia em geral, tendo também demonstrado a sua importância enquanto infraestrutura essencial durante períodos de crise.
A experiência da pandemia foi apontada como um exemplo da importância de assegurar a continuidade do sistema bancário em momentos de elevada incerteza, em conjunto com outros serviços essenciais à sociedade.
Neste sentido, a discussão concluiu que o futuro do setor financeiro dependerá da capacidade de combinar inovação, segurança, escala, financiamento e regulação eficiente, mantendo a confiança que está na base do sistema financeiro.
A AmCham Portugal agradece aos oradores João Pedro Oliveira e Costa, Presidente Executivo do Banco BPI, e Paulo Moita de Macedo, Presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos, bem como à moderadora Leslie Rubio, Citi Country Officer Portugal, pela participação e pelas importantes reflexões partilhadas ao longo da sessão.
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