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Archived: Olhar 2026: Perspectivas em Debate

Evento

Olhar 2026: Perspectivas em Debate

10 de Fevereiro | Palácio Sottomayor

Knowledge Partner: PwC

A AmCham Portugal, em colaboração com a PwC, promoveu a sessão “Olhar 2026 – Perspetivas em Debate”, centrada na apresentação do Barómetro AmCham 2026.

Intervenção do Secretário de Estado da Economia, Eng.º João Rui Ferreira

O Secretário de Estado iniciou a sua intervenção sublinhando a necessidade de olhar primeiro para a realidade atual antes de projetar o futuro, destacando o impacto económico dos recentes fenómenos meteorológicos extremos e a destruição ocorrida na região Centro do país. Referiu tratar‑se de acontecimentos impossíveis de controlar, mas que exigem respostas rápidas e coordenadas junto das populações e das empresas.

Entre as medidas prioritárias, destacou:
– A preservação das cadeias de valor e a rápida disponibilização de apoios financeiros às empresas afetadas, estimando‑se cerca de 500 milhões de euros em apoio imediato;
– O papel das seguradoras, elogiando o seu compromisso e capacidade de resposta;
– A necessidade de iniciar desde já a fase de reconstrução, enquadrada no princípio “Build Back Better”.
No plano estrutural, sublinhou que Portugal tem vindo a apresentar indicadores económicos positivos:
– Crescimento económico acima da média europeia em 2025 (c. 1,9%);
– Captação de cerca de 3,5 mil milhões de euros de investimento direto estrangeiro através da AICEP;
– Bons níveis de emprego e aumento dos salários médios;
– Redução da dívida pública para cerca de 89,7% do PIB.
Apontou ainda os principais ativos estratégicos do país: capital humano qualificado, setor energético competitivo, infraestrutura digital e o posicionamento de Portugal como plataforma tricontinental e ponte atlântica.
Relativamente à relação com os Estados Unidos, reforçou que este não é um mercado único, mas sim um conjunto de mercados distintos, exigindo escala empresarial, proximidade ao cliente final e investimento em marca. Destacou a importância da Marca Portugal e o contributo do turismo para a sua afirmação internacional.
Por fim, salientou que o crescimento económico será decisivo para melhorar a qualidade de vida dos portugueses e que a transformação da produtividade passará necessariamente pela digitalização, pela Inteligência Artificial e pela capacitação das PME.

Apresentação do Barómetro AmCham 2026 – “Expectativas e Perspetivas para 2026”

A apresentação dos resultados, conduzida por José Bizarro Duarte (Partner, PwC), enquadrou o contexto global como marcado por riscos ambientais, tecnológicos e geopolíticos. Os fenómenos meteorológicos extremos surgem hoje como o principal risco global, ao mesmo tempo que persistem riscos económicos e sociais a nível nacional.

Principais resultados do Barómetro:

– 51% dos gestores demonstram otimismo relativamente à economia portuguesa;
– 29% mostram maior confiança na economia internacional;
– 78% das empresas americanas em Portugal prevê crescimento do volume de negócios em 2026;
– 65% planeia realizar novos investimentos (valor superior a 2024).
Principais desafios identificados
– Ao nível das empresas: competitividade, atração e retenção de talento e cibersegurança.
– Ao nível dos setores: competitividade, talento e complexidade regulatória.
– Ao nível do país: burocracia e regulação, escassez de talento e incerteza económica.
Inteligência Artificial e inovação
– 94% das empresas já investe em IA;
– Mais de metade encontra‑se numa fase de desenvolvimento;
– Principais riscos: segurança e privacidade de dados e enquadramento legal.
– A adoção depende sobretudo da disponibilidade de talento qualificado, da formalização de processos internos e de uma cultura organizacional preparada para a mudança.
Sustentabilidade e contexto geoestratégico
– 82% das empresas já implementou uma estratégia de sustentabilidade;
– A influência global dos EUA continua a ser um fator relevante para a tomada de decisão das empresas;
– As tarifas comerciais tiveram impacto reduzido ou nulo para a maioria das empresas.
Foi ainda destacada a crescente diversidade e qualificação da força de trabalho estrangeira em Portugal, bem como a crescente exposição do país à escassez de talento, tendência que se deverá intensificar até 2030, com maior valorização das soft skills.

Painel de Debate – Perspetivas para 2026

O painel reuniu Carlos Freire (AON), João Mota (VOID Software), João Machado (Grupo Pestana) e Marcelo Nico (Tabaqueira), que partilharam a visão dos respetivos setores.
Carlos Freire, AON
Destacou a relação direta entre medição de exposição ao risco e capacidade de recuperação das organizações. Identificou quatro grandes áreas críticas:
  • Catástrofes naturais e necessidade de novos instrumentos de financiamento e transferência de risco;
  • Cadeias de abastecimento globais;
  • Crescimento de data centers;
  • Impacto da Inteligência Artificial nos modelos de risco.
João Mota, VOID Software
Partilhou a experiência de expansão para os Estados Unidos, salientando que o mercado norte‑americano valoriza mais claramente o produto e a inovação. Sublinhou:
  • a importância da proximidade ao cliente para reduzir a “fricção da distância”;
  • maior tolerância ao risco e ao falhanço face ao contexto europeu;
  • o facto de o mercado não ser desregulado, mas sim menos burocrático.
  • A empresa tornou‑se também investidora em startups, contando atualmente com cerca de 15 no portefólio.
João Machado, Grupo Pestana
Recordou o contraste entre 2019 (melhor ano de sempre) e o impacto da pandemia em 2020‑2021. Durante esse período, o grupo manteve duas prioridades: preservar talento e investir em tecnologia.
O canal direto online foi determinante: as vendas através do website passaram de cerca de 19 milhões de euros em 2019 para mais de 100 milhões em 2025, com impacto positivo na margem e rentabilidade.
Marcelo Nico, Tabaqueira
Realçou o investimento contínuo em formação dos recursos humanos e em sustentabilidade. Destacou:
  • A transição para produtos de risco reduzido, já representando cerca de 42% das receitas líquidas;
  • Exportação de 95% da produção;
  • Neutralidade carbónica já alcançada, com continuidade do investimento em eficiência energética e hídrica.
  • Demonstrou confiança na economia portuguesa e no potencial do país como plataforma industrial exportadora.

Programa

  • 09h00 | Welcome Coffee e Abertura – António Martins da Costa, Presidente da AmCham Portugal
  • 09h15 | Intervenção do Secretário de Estado da Economia, Engº. João Rui Ferreira
  • 09h35 | Expectativas e Perspectivas para 2026, José Bizarro Duarte, Partner na PwC
    Com apresentação dos resultados do inquérito realizado aos Sócios da AmCham
  • 10h00 | Olhar 2026: Perspectivas em Debate
    Carlos Freire, CEO AON
    Hugo Marcelo Nico, Diretor-Geral da Tabaqueira
    João Machado, Executive Committee Member at Pestana Hotel Group
    João Mota, Membro do Conselho de Administração da VOID Software
    -Moderação: Cristina Cabral Ribeiro, Legal Lead Partner, PwC Portugal
  • 10h30 | Networking coffee
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