Conferência “O Boom ‘Data-to-Doorstep’ em Portugal: Data Centers, Cabos Submarinos e Logística como a Nova Imobiliária Transatlântica”
22 de abril de 2026 | Auditório João Morais Leitão, Lisboa
Gold Sponsors: Accenture, Arrow Global, KPMG | Silver Sponsor: CBRE | Apoio: Morais Leitão
A AmCham Portugal, através da sua Comissão Especializada de Real Estate, promoveu a conferência “O Boom ‘Data-to-Doorstep’ em Portugal: Data Centers, Cabos Submarinos e Logística como a Nova Imobiliária Transatlântica”, um momento de reflexão sobre o papel crescente de Portugal na nova economia digital, onde dados, energia e logística convergem como pilares estratégicos de desenvolvimento.
O evento reuniu líderes empresariais, decisores públicos e especialistas para debater as oportunidades e desafios associados ao crescimento dos data centers, à importância crítica dos cabos submarinos e à evolução da logística como novo ativo imobiliário transatlântico.
Após as boas-vindas de António Martins da Costa, Presidente da AmCham Portugal, e de Nuno Galvão Teles, Chairman da Morais Leitão, a sessão contou com a intervenção de Miguel Stilwell d’Andrade, CEO da EDP, seguida de um painel de debate com Álvaro Beijinha, Presidente da Câmara Municipal de Sines, Anna Margolis, Economic Unit Chief da Embaixada dos EUA em Portugal, Francisco Horta e Costa, CEO da CBRE, e Robert Dunn, CEO da Start Campus, moderado por Francisco Sottomayor, Head of Real Estate na Arrow Global.
Intervenção de Miguel Stilwell d’Andrade
Na sua intervenção, foi destacada a transformação estrutural em curso no setor energético, impulsionada pelo crescimento da procura associada aos data centers, à inteligência artificial e à eletrificação da economia.
Portugal surge, neste contexto, como um país particularmente bem posicionado, beneficiando de uma forte capacidade de produção de energia renovável e de preços competitivos. Ainda assim, o CEO da EDP sublinhou que a manutenção desta vantagem dependerá da capacidade de continuar a investir em geração e em infraestruturas de rede.
Um dos principais alertas centrou-se na capacidade de execução. “Demorar cinco, seis anos a licenciar um projeto que demora 12 a 18 meses a ser feito acaba por ser um bloqueio ao investimento”, afirmou, sublinhando que o principal entrave não é a falta de capital, mas sim a lentidão dos processos.
Foi igualmente destacada a necessidade de reforçar as interligações energéticas da Península Ibérica com o resto da Europa, classificando a atual situação como “uma vergonha”, e alertando para a importância de criar condições que permitam acompanhar o crescimento esperado da procura.
Ainda assim, deixou uma nota de confiança quanto à competitividade do país: “A Península Ibérica é mais competitiva do que alguns estados americanos”, sublinhando o potencial de Portugal para captar investimento industrial e tecnológico.
Painel de Debate
O painel centrou-se na forma como Portugal pode posicionar-se como uma plataforma integrada de dados, energia e logística, e nos desafios concretos associados à execução desta ambição.
Foi amplamente reconhecido que existe uma forte disponibilidade de capital e interesse internacional, em particular por parte de investidores norte-americanos, em projetos ligados à infraestrutura digital. Portugal tem vindo a afirmar-se como um hub estratégico, não apenas pela sua localização, mas também pela qualificação dos seus recursos humanos e pela crescente presença de grandes empresas tecnológicas.
No entanto, a execução voltou a emergir como o principal desafio. A necessidade de acelerar processos de licenciamento e garantir maior previsibilidade foi transversal a toda a discussão.
A pressão sobre os territórios foi também um dos temas centrais, em particular no caso de Sines. Álvaro Beijinha alertou para os impactos locais do volume de investimento previsto, sublinhando que “o investimento privado tem necessariamente de ser acompanhado por investimento público”, nomeadamente em áreas como habitação, acessibilidades e serviços essenciais.
Outro ponto-chave foi a necessidade de uma abordagem integrada ao ecossistema “data-to-doorstep”. O desenvolvimento deste modelo exige alinhamento entre energia, redes, conectividade submarina, território e logística – sendo que qualquer falha num destes elementos pode comprometer o conjunto.
Nas conclusões, João Bugalho destacou três ideias centrais.
Em primeiro lugar, reforçou que Portugal não compete como um ativo isolado, mas através de um conjunto de polos complementares: “Portugal tem um conjunto de vantagens competitivas que não se resume a um único polo, há vários centros de interesse relevantes no país”.
Em segundo lugar, sublinhou que o capital e o interesse existem, mas que o verdadeiro desafio está na execução: “O capital está lá, o interesse está lá – o ponto crítico é a capacidade de executar”.
Por fim, destacou a importância da ambição e da capacidade de concretização, particularmente no contexto da relação transatlântica: “Os investidores americanos trazem capital, mas também ambição – e essa ambição exige previsibilidade e capacidade de execução”.
Foi ainda deixada uma nota final sobre a importância da integração com as comunidades locais, sublinhando que projetos desta escala exigem uma forte “licença social” para serem sustentáveis a longo prazo.
A conferência evidenciou que Portugal reúne condições únicas para se afirmar como uma plataforma energética e digital de próxima geração, no centro da nova economia transatlântica. Contudo, o sucesso desta oportunidade dependerá da capacidade de transformar potencial em realidade – assegurando eficiência, coordenação e visão estratégica.
A AmCham Portugal agradece a todos os oradores, patrocinadores e participantes pela sua presença e contributo para este debate essencial sobre o futuro da energia, da conectividade e do território.
Na imprensa:
“Demorar cinco, seis anos a licenciar um projeto é um bloqueio ao investimento”, alerta CEO da EDP | Jornal Económico
Península Ibérica é mais competitiva do que alguns estados americanos | ECO
CEO da EDP diz que medidas de apoio na eletricidade é questão “que nem se põe” | ECO
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