A Opinião

de Fernando Braz, Country Leader Salesforce Portugal
Agentforce: Inteligência Artificial que se move como um campeão de elite
Em 2013, o filme “Her” apresentou-nos uma assistente virtual chamada Samantha que, livre das limitações do corpo humano, aprendia com cada interação e evoluía constantemente. Esta representação cultural de uma inteligência artificial geral, quase omnisciente, moldou há mais de dez anos aquilo que seria o imaginário coletivo sobre o potencial da IA. Hoje, no mundo empresarial, essa visão começa a tornar-se realidade através de um conceito que denominamos de Enterprise General Intelligence (EGI) — e o Agentforce da Salesforce é uma das suas manifestações mais concretas.
Ao contrário da Artificial General Intelligence (AGI) teórica, a EGI não promete substituir o ser humano, mas sim potenciá-lo. O Agentforce é um exemplo paradigmático desta abordagem, combinando capacidades avançadas com uma consistência fiável que responde às exigências do contexto empresarial.
Para percebermos o valor desta tecnologia, é essencial compreender o percurso evolutivo que a sustenta.
Na primeira fase, tal como um atleta iniciante, a IA passa por um treino fundamental: aprende a linguagem, a reconhecer padrões e a raciocinar de forma básica. Nesta etapa, desenvolve-se o “modelo de fronteira”. Depois, tal como um tenista que decide competir, a IA entra numa fase de especialização: é afinada para domínios específicos como finanças, saúde ou cadeias de abastecimento. A terceira fase é a do desempenho de elite — aqui, o Agentforce é afinado ao pormenor para as necessidades de cada organização, ganhando a capacidade de agir de forma estratégica, adaptar-se rapidamente e operar com fiabilidade superior.
Silvio Savarese, Vice-Presidente Executivo e Chief Scientist da Salesforce AI Research, e uma das mentes por detrás desta visão, diz-nos que a excelência empresarial em IA não se mede apenas pela capacidade, mas também pela consistência. Um sistema que acerta em tarefas difíceis mas falha nas mais simples não é adequado para empresas. A EGI, pelo contrário, alia capacidade analítica avançada a um desempenho fiável, criando um ambiente onde a confiança no sistema é tão sólida como nos melhores profissionais humanos.
O Agentforce permite-nos ir além do modelo tradicional de assistentes de IA. Não só responde a perguntas ou automatiza tarefas; aprende com dados internos, adapta-se aos fluxos de trabalho, age com base em regras empresariais e evolui com o tempo. Trata-se de um agente que combina memória, raciocínio e capacidade de ação num ecossistema totalmente integrado.
Estes agentes não são sistemas genéricos. São especialistas. Tal como existem jogadores de ténis, de squash ou de pickleball, também existirão diferentes agentes para diferentes domínios empresariais: um para serviço ao cliente, outro para vendas, outro ainda para compliance. Cada um treinado até atingir o nível de campeão na sua “modalidade”.
Claro que, para que esta visão se concretize, as empresas têm de investir na infraestrutura certa. Uma infraestrutura que inclua dados organizados, sistemas de interface multimodal, mecanismos de execução automática e uma arquitetura que garanta segurança, transparência e responsabilidade. Mas também é necessário preparar as pessoas. A EGI não é apenas uma mudança tecnológica, é uma transformação cultural.
As organizações mais bem-sucedidas não são aquelas que simplesmente implementam IA, mas aquelas que a tornam parte do seu ADN, tal como os melhores atletas incorporam a estratégia, a técnica, a nutrição e o treino mental.
O Agentforce é um convite a esse futuro: um futuro onde a inteligência artificial é tão fiável quanto a humana, tão adaptável quanto estratégica, e tão indispensável quanto qualquer talento de elite. E é precisamente por isso que a Salesforce acredita que o momento de agir é agora.