A Opinião

de Alicia de Castro, Country Manager da Lilly Portugal
840 dias depois: o acesso à inovação em saúde não pode esperar
Portugal detém uma valiosa combinação de talento qualificado, infraestruturas de saúde de qualidade e um ecossistema de inovação em ciência dinâmico. Contudo, este potencial é travado por atrasos sistemáticos antes que os doentes possam ter acesso a medicamentos inovadores; o que podemos designar como o “custo da espera”.
Os mais recentes dados da Federação Europeia de Associações e Indústrias Farmacêuticas (EFPIA), revelam uma realidade preocupante: os doentes em Portugal esperam, em média, 840 dias (mais de dois anos) para aceder a um novo medicamento após a sua aprovação a nível europeu. E são mais 262 dias – o equivalente a quase nove meses – face à média da União Europeia.
Na prática, estes 840 dias traduzem-se numa perda inestimável de qualidade de vida. Significam complicações evitáveis para quem vive com diabetes e obesidade, e a progressão de uma doença que poderia ser retardada para quem enfrenta a doença de Alzheimer. Além de criar um fardo emocional e financeiro acrescido para os doentes e cuidadores, as complicações das doenças aumentam o custo económico global para o país e a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde.
A Lilly tem procurado contribuir para reduzir estes prazos. Reduzimos o tempo necessário para concluir ensaios clínicos a nível global, de uma média de 11 anos para seis, através da adoção de tecnologia de ponta, e acelerámos e melhorámos o rigor das nossas submissões regulamentares, promovendo processos mais eficientes e previsíveis. O nosso objetivo é simples: colaborar de forma construtiva para que a inovação chegue mais rapidamente aos doentes que dela precisam.
Na Lilly, o nosso propósito é proporcionar soluções para os desafios de saúde globais mais prementes. A aposta em Investigação & Desenvolvimento (I&D) permite-nos levar inovação a algumas das doenças mais complexas e com menos necessidades satisfeitas a nível mundial. Os nossos quase 150 anos de história são prova que é da colaboração entre ciência, medicina e sociedade que nascem as grandes transformações e descobertas que mudam vidas, como aconteceu com o tratamento da diabetes ou a erradicação da poliomielite. É este espírito de parceria e visão estratégica que propomos para superar o “custo da espera” e os desafios da obesidade e da doença de Alzheimer em Portugal.
Acreditamos que é fundamental que o acesso a medicamentos inovadores deixe de ser tratado como um custo e, em vez disso, passe a ser encarado como um investimento direto no bem-estar da população e na competitividade do país. Um ecossistema de I&D robusto, que atrai ensaios clínicos, não só proporciona aos doentes um acesso mais rápido a terapêuticas de ponta, como também injeta investimento direto na economia, cria empregos altamente qualificados e reforça o prestígio das instituições científicas e médicas.
Esta jornada requer, igualmente, uma base digital sólida. A implementação de sistemas de saúde interoperáveis, que utilizem de forma inteligente e ética os dados do mundo real (RWD) e a Inteligência Artificial (IA), é crucial. Esta transformação digital permite-nos acelerar a investigação, otimizar a prestação de cuidados, personalizar tratamentos e fundamentar decisões baseadas em valor, beneficiando doentes e gestores com uma alocação de recursos mais eficiente e focada em resultados.
A nossa ambição deve ser mais ampla, com a saúde como pedra angular da política nacional. A saúde e o bem-estar da população transcendem as paredes dos hospitais e centros de saúde, sendo influenciados por quase todas as áreas da governação – da economia à educação, do urbanismo ao ambiente. Integrar a saúde como um critério transversal em todas as decisões políticas é a única forma de garantir que a competitividade económica e a qualidade de vida em Portugal caminham, de facto, lado a lado.
O caminho a seguir passa por colocar os doentes no centro das decisões e por fomentar uma colaboração genuína entre a indústria, o governo, a academia e a sociedade civil. Só assim poderemos transformar o nosso potencial de inovação em saúde em benefícios concretos para a população. O “custo da espera” é um preço demasiado alto para todos. O momento de agir é agora.