Portugal no Radar do Investimento Internacional: Competitividade, Atratividade e Economia Digital
10 de julho de 2026 | SANA Malhoa Hotel Lisboa
Apresentação da 3ª edição do Barómetro das Empresas Americanas em Portugal
Knowledge Partner: PwC Portugal
A AmCham Portugal promoveu mais uma sessão dedicada aos desafios da competitividade e da atração de investimento internacional, assinalando a apresentação da 3ª edição do Barómetro das Empresas Americanas em Portugal, desenvolvido em parceria com a PwC Portugal.
Leia a edição de 2026 do Barómetro das Empresas Americanas em Portugal AQUI.
Num contexto internacional marcado pela fragmentação geopolítica, pela aceleração tecnológica e por uma competição cada vez mais intensa pelo investimento estrangeiro, o encontro reuniu representantes do setor público, empresarial e institucional para refletir sobre o posicionamento de Portugal na nova economia global e sobre as condições necessárias para reforçar a sua atratividade junto dos investidores internacionais, em particular dos investidores norte-americanos.
A sessão iniciou-se com a apresentação do Barómetro por José Bizarro Duarte, Partner da PwC Portugal, seguindo-se um painel de debate moderado por Susana Claro, Partner da PwC, com a participação de Anna Margolis (U.S. Mission Portugal), Armanda Mealha (Microsoft Portugal), Francisco Fezas Vital (Blackstone), e Philomène Dias (AICEP).
Aceda à Apresentação do Barómetro AQUI.
Principais reflexões da sessão
Portugal continua a afirmar-se como um destino de referência para o investimento norte-americano
O Barómetro confirma que os Estados Unidos reforçam a sua posição como principal parceiro estratégico extraeuropeu de Portugal, mantendo elevados níveis de confiança na economia portuguesa e nas suas perspetivas de crescimento.
Os dados revelam uma presença empresarial cada vez mais consolidada: atualmente, 841 empresas americanas operam em Portugal, representando cerca de 5% do PIB nacional, enquanto o seu impacto no emprego, na inovação e na criação de valor continua a aumentar. Paralelamente, estas empresas pagam, em média, mais do dobro da remuneração praticada no mercado nacional, refletindo o seu contributo para uma economia mais qualificada e competitiva.
Como sublinhou José Bizarro Duarte: “O investimento americano é positivo e devemos criar condições para que acelere, se aprofunde e tenha um impacto cada vez mais significativo na economia portuguesa.”
Num mundo mais fragmentado, competitividade significa capacidade de execução
Um dos principais temas em destaque ao longo da manhã foi a transformação do contexto internacional.
Segundo José Bizarro Duarte, “o mundo tem hoje novos desafios globais“, marcados pela fragmentação geopolítica, pela crescente dificuldade do multilateralismo em responder às crises internacionais e pelo impacto acelerado da tecnologia e da inteligência artificial na economia.
Neste novo enquadramento, Portugal continua a apresentar vantagens competitivas reconhecidas internacionalmente (talento qualificado, estabilidade política, localização estratégica e qualidade de vida) mas os participantes defenderam que estes fatores já não são suficientes. A capacidade de simplificar processos administrativos, reduzir a burocracia, acelerar licenciamentos e garantir maior previsibilidade regulatória será determinante para competir pelos próximos grandes projetos de investimento.
Como foi referido durante o painel: “Portugal é um dos países mais burocráticos” e, por isso, “É preciso fazer mais e melhor.“
Economia digital e Inteligência Artificial representam uma oportunidade estratégica
Outro dos temas centrais foi o papel crescente da economia digital na competitividade internacional.
Portugal encontra-se hoje particularmente bem posicionado para beneficiar desta transformação, graças à sua localização atlântica, à crescente conectividade internacional e ao desenvolvimento de infraestruturas críticas como cabos submarinos, cloud e data centers.
O Barómetro destaca precisamente este posicionamento, apontando para investimentos superiores a 10 mil milhões de euros em centros de dados e para um impacto económico crescente desta infraestrutura na próxima década.
Como destacou José Bizarro Duarte: “Hoje, quando se fala no mundo digital, a posição geográfica é fundamental para a afirmação de Portugal neste mundo global.“
No painel foi igualmente sublinhado que a Inteligência Artificial representa uma tecnologia verdadeiramente transformadora, exigindo investimento continuado em infraestruturas, talento e modernização da Administração Pública.
O talento continua a ser o principal fator diferenciador
Ao longo da sessão existiu um consenso claro: o maior ativo competitivo de Portugal continua a ser o seu capital humano.
A elevada qualificação dos profissionais portugueses, a facilidade de integração em equipas internacionais, o domínio da língua inglesa e a capacidade técnica continuam a ser fatores decisivos para empresas multinacionais escolherem Portugal.
Como foi referido durante a apresentação: “Temos talento qualificado. O importante é conseguir retê-lo.“
Também durante o painel foi salientado que muitas empresas norte-americanas continuam a expandir operações em Portugal precisamente pela qualidade do talento disponível, deixando claro que a competitividade do país não assenta em baixos custos, mas sim no valor acrescentado das suas pessoas.
As relações transatlânticas permanecem um ativo estratégico para Portugal
Num contexto internacional cada vez mais complexo, foi igualmente reforçada a importância da relação económica entre Portugal e os Estados Unidos.
Os participantes destacaram que esta parceria continua robusta e em crescimento, tanto ao nível do investimento direto estrangeiro como da cooperação tecnológica, industrial e científica.
Como foi referido durante o debate: “A relação Portugal-EUA é robusta e continua a crescer.“
Ao mesmo tempo, foi defendido que Portugal deverá continuar a afirmar uma voz forte na União Europeia, aproveitando o atual contexto geopolítico para reforçar o seu posicionamento enquanto plataforma atlântica para investimento, inovação e desenvolvimento tecnológico.
O encontro terminou com um debate aberto aos participantes, permitindo aprofundar temas como a competitividade da economia portuguesa, o futuro do investimento internacional, o papel da Inteligência Artificial e os desafios que Portugal enfrenta para continuar a afirmar-se como um dos destinos mais atrativos para investimento na Europa.
A AmCham Portugal agradece à PwC Portugal, enquanto Knowledge Partner do Barómetro, a todos os oradores e aos participantes por contribuírem para uma discussão particularmente relevante sobre o futuro da economia portuguesa, das relações transatlânticas e da competitividade do país.