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Archived: “Transatlantic Link: Challenges and Opportunities – Geopolitical and Geoeconomic Impacts” com Paulo Portas

AmCham 75 – Conversas Transatlânticas:

“Transatlantic Link: Challenges and Opportunities – Geopolitical and Geoeconomic Impacts” com Paulo Portas

2 de julho de 2026 | Hyatt Regency Lisboa

Patrocínio: EY

Integrada nas comemorações dos 75 anos da AmCham Portugal, esta edição das Conversas Transatlânticas reuniu líderes empresariais para uma reflexão sobre os principais desafios geopolíticos e geoeconómicos que moldam a relação entre a Europa e os Estados Unidos.
Com Paulo Portas como keynote speaker e um fireside chat moderado por Miguel Farinha, Country Managing Partner da EY, a sessão proporcionou uma análise abrangente sobre a evolução da ordem internacional e o impacto destas transformações na economia, nas empresas e nas decisões estratégicas.

Logo no início da sua intervenção, Paulo Portas deixou uma reflexão que marcou o tom da sessão: “Somos colocados perante uma evidência que poucos reconhecem.”
Partindo desta ideia, conduziu os participantes por uma leitura dos principais fatores que estão a redefinir o equilíbrio mundial e das suas implicações para a economia, para as empresas e para a relação transatlântica.

Principais reflexões da sessão
Um mundo cada vez mais multipolar
Paulo Portas começou por enquadrar a transformação da ordem internacional, defendendo que o atual contexto representa uma mudança estrutural na distribuição do poder global. Depois de um século XX marcado pela liderança incontestada dos Estados Unidos, o século XXI caracteriza-se pela afirmação de novos centros de influência, particularmente da China, e pelo posicionamento estratégico da Rússia.

Neste novo enquadramento, compreender a geopolítica tornou-se indispensável para compreender a economia global e antecipar as tendências que influenciarão os mercados nos próximos anos: “O século XX foi o século de ouro dos Estados Unidos.”

A ascensão da China e o novo centro da competição global
A evolução da China ocupou uma parte significativa da intervenção. Reconhecendo o extraordinário crescimento económico do país nas últimas décadas, Paulo Portas alertou para a necessidade de uma análise equilibrada, recordando que Pequim enfrenta hoje desafios estruturais relevantes, nomeadamente ao nível da demografia, da produtividade e do atual modelo de governação.

Ao mesmo tempo, destacou que é sobretudo na Ásia, mais do que na Europa ou nos Estados Unidos, que a afirmação chinesa é encarada com maior preocupação, sobretudo perante as crescentes tensões na região do Indo-Pacífico: “Pequim causa muita ansiedade em Washington, mas causa muito mais na Ásia. Nós, na Europa, é que não nos apercebemos.”

Referindo-se ao futuro da região, acrescentou: “As previsões da CIA apontam para que a China faça algo em Taiwan até 2027.”

A Europa continua à procura do seu posicionamento estratégico
A Europa esteve igualmente no centro da reflexão. Apesar da sua dimensão económica e da influência que continua a exercer no comércio internacional, Paulo Portas defendeu que a União Europeia continua a revelar dificuldades em afirmar-se como um verdadeiro ator geopolítico, consequência da ausência de uma política comum de defesa e de uma maior coordenação estratégica entre os seus Estados-Membros.

Neste contexto, o Brexit foi igualmente identificado como um dos acontecimentos que mais fragilizou o posicionamento europeu, retirando à União Europeia um dos seus principais parceiros estratégicos na relação com os Estados Unidos: “A Europa é uma superpotência geoeconómica, mas não é uma superpotência geopolítica.”

Estados Unidos: liderança global e desafios internos
A política norte-americana mereceu igualmente destaque. Paulo Portas analisou os desafios que os Estados Unidos enfrentam para manter a sua posição de liderança mundial, num sistema político particularmente exigente, marcado por sucessivos ciclos eleitorais e por uma crescente polarização política.

Abordou ainda o impacto das eleições intercalares (midterms), defendendo que o segundo semestre poderá ser relativamente mais estável do ponto de vista internacional, e deixou algumas reflexões sobre o futuro da política norte-americana: “Os EUA são uma democracia particular. É difícil manter liderança quando se tem três eleições num período de quatro anos.” Teremos, à partida, um segundo semestre mais sossegado.

Olhando para as eleições presidenciais de 2028, acrescentou: “Vamos ver quem é o republicano que se afasta da MAGA e o democrata que se distancia do wokismo. Isso poderá trazer um novo brilho à América.”

A relação transatlântica continua a ser um pilar estratégico
Apesar das mudanças profundas que marcam a ordem internacional, Paulo Portas deixou uma mensagem clara quanto à importância da ligação entre a Europa e os Estados Unidos, considerando que continua a ser um dos pilares fundamentais da estabilidade internacional.

Destacou ainda que, apesar do intenso debate político em torno da NATO, o apoio à Aliança Atlântica continua a ser muito significativo no Senado norte-americano: “No Senado, a NATO tem cerca de 70% de popularidade.”

Empresas, geopolítica e tomada de decisão
Seguiu-se um fireside chat, moderado por Miguel Farinha, Country Managing Partner da EY, que permitiu aprofundar o impacto destas transformações no mundo empresarial.
Num contexto de crescente instabilidade internacional, o debate centrou-se na forma como empresas e investidores devem incorporar fatores como segurança, energia, cadeias de abastecimento, comércio internacional, regulação ou risco geopolítico nas suas decisões estratégicas. Ficou claro que compreender a evolução do contexto internacional deixou de ser apenas um exercício de análise política, assumindo hoje um papel determinante na competitividade e na capacidade de adaptação das organizações.

Neste contexto, Paulo Portas deixou ainda uma reflexão sobre as diferentes abordagens regulatórias dos dois lados do Atlântico: “Os americanos estão cansados do excesso de regulação na União Europeia. No entanto, já se aperceberam dos desafios do zero-regulation.

A sessão terminou com um período de perguntas e respostas, proporcionando aos participantes uma oportunidade privilegiada para aprofundar alguns dos temas abordados e refletir sobre os desafios que marcarão o futuro da economia internacional. Como nota final, Paulo Portas deixou uma das frases mais marcantes da manhã: “No mundo em que vivemos, quem faz a paz morre, e quem faz a guerra recebe likes.”

A AmCham Portugal agradece ao Paulo Portas, à EY, ao Miguel Farinha e a todos os participantes por contribuírem para mais uma edição das Conversas Transatlânticas, reafirmando o compromisso da Câmara em promover o debate sobre os grandes temas que moldam o futuro da economia internacional e das relações entre Portugal, a Europa e os Estados Unidos.

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