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Arquivado: Almoço com o Ministro de Estado e das Finanças

Almoço com o Ministro de Estado e das Finanças
Prof. Doutor Joaquim Miranda Sarmento

Dia 4 de março de 2026 | Hotel Sheraton Lisboa

Main Sponsors: AON, BIG | Gold Sponsor: Boyden
A AmCham Portugal recebeu o Ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, para um almoço-debate dedicado à estabilidade financeira, à confiança e ao crescimento da economia portuguesa, bem como ao papel do Estado na economia num contexto internacional marcado por elevada incerteza.
Após a intervenção inicial do Ministro, seguiu-se um fireside chat moderado por Carlos Freire, CEO da Aon e Board Member da AmCham Portugal. A sessão terminou com a abertura do debate aos restantes participantes, promovendo uma troca de perspetivas entre o Ministro e os membros presentes.
Na sua intervenção, o Ministro começou por sublinhar que “vivemos tempos muito atribulados internacionalmente”, apontando a evolução de vários conflitos e tensões geopolíticas, do Médio Oriente à Ucrânia, passando pelo Sudeste Asiático e pela relação China-Taiwan, como fatores de risco para a economia global. – Aceda à apresentação AQUI.
Apesar deste enquadramento desafiante, destacou que 2025 foi um ano que superou as expectativas e que Portugal tem sido frequentemente apresentado como um exemplo positivo no contexto europeu. Entre os principais indicadores referidos, salientou-se o crescimento do PIB de 1,9% em 2025, acima da média da zona euro (1,5%), uma taxa de desemprego de 6% (face a 6,3% na zona euro) e uma inflação de 2,2%, próxima da média europeia.
Consolidação Orçamental e Confiança dos Mercados:
Um dos pontos centrais da intervenção foi a trajetória descendente da dívida pública portuguesa. O Ministro destacou que, depois de ter atingido um máximo histórico de cerca de 134% do PIB em 2020, no contexto da pandemia, a dívida tem vindo a cair de forma consistente. As previsões apontam para um valor inferior a 90% do PIB em 2026 e próximo de 80% em 2028.
Esta redução representa uma descida acumulada de cerca de 40 pontos percentuais em cinco anos, num contexto global marcado pelo aumento do endividamento público. O Ministro salientou ainda que os spreads da dívida portuguesa face às obrigações alemãs se encontram em mínimos desde 2008, refletindo o reforço da confiança nas finanças públicas nacionais.
No plano orçamental, referiu que, em dezembro de 2025, o saldo global das Administrações Públicas atingiu 1,3 mil milhões de euros, um aumento significativo face aos 886 milhões registados no mesmo período de 2024.
Crescimento Económico e Mercado de Trabalho:
O Ministro destacou igualmente a evolução positiva de vários indicadores macroeconómicos. O consumo privado e o investimento têm contribuído para dinamizar a economia, com o consumo a crescer acima da média da zona euro. O consumo público manteve-se contido e as exportações continuaram a ganhar peso na economia, ultrapassando os 40% do PIB.
O mercado de trabalho apresenta também sinais de forte dinamismo, com níveis de emprego em máximos históricos e uma taxa de desemprego próxima de mínimos. As remunerações por trabalhador têm registado um crescimento próximo de 6%, contribuindo para o aumento do rendimento disponível das famílias. Paralelamente, a taxa de poupança das famílias tem vindo a crescer, mesmo num contexto de aumento do consumo.
No setor financeiro, o Ministro sublinhou que a banca portuguesa se encontra hoje numa posição mais sólida, destacando o reforço dos rácios de capital, nomeadamente no caso da Caixa Geral de Depósitos, o que contribui para reforçar a capacidade de financiamento da economia.
Desafios Estruturais da Economia Portuguesa:
Apesar da evolução positiva dos indicadores macroeconómicos, o Ministro identificou vários constrangimentos estruturais à competitividade da economia portuguesa.
Entre os principais desafios (Tier 1), destacou o capital humano, a burocracia e os custos de contexto, bem como o funcionamento do mercado de trabalho e dos sistemas de apoios sociais. Num segundo nível de desafios (Tier 2), apontou questões como a justiça tributária, o reforço da inovação, do conhecimento e da qualidade, e a evolução do sistema fiscal.
Foi igualmente sublinhado o desafio do diferencial de produtividade, bem como fatores que podem limitar o investimento de longo prazo em Portugal, incluindo a incerteza económica, os custos energéticos e alguns aspetos da legislação empresarial e laboral.
Prioridades da Ação Governativa:
Relativamente à ação governativa no período 2024-2026, o Ministro destacou as medidas de redução da carga fiscal para famílias e empresas.
No caso das famílias, está prevista uma redução acumulada do IRS de cerca de 2 mil milhões de euros até ao final de 2026. Para as empresas, o Governo pretende reduzir gradualmente a taxa de IRC, com o objetivo de atingir uma descida total de quatro pontos percentuais até ao final da legislatura, o que corresponderá a um alívio fiscal estimado em cerca de 1,2 mil milhões de euros. A meta apontada é alcançar uma taxa de IRC de 17% em 2028.
O Ministro destacou ainda a importância do investimento direto estrangeiro para o crescimento económico, referindo vários projetos relevantes já anunciados para Portugal, incluindo investimentos industriais, tecnológicos e energéticos, como fábricas de baterias de lítio, projetos no setor automóvel elétrico, centros de dados e expansões em áreas como a aeronáutica e a indústria de defesa.
Perspetivas para 2026:
Para 2026, o Governo antecipa que Portugal possa manter um saldo orçamental positivo e um crescimento económico superior a 2%, posicionando-se entre os poucos países europeus com esta combinação de resultados.
Na sessão de debate, foi também referido o interesse do Ministro pelos resultados do Barómetro da AmCham Portugal, em particular pelas expectativas das empresas americanas relativamente à evolução da economia portuguesa e do contexto internacional.
A AmCham Portugal agradece ao Ministro Joaquim Miranda Sarmento, aos patrocinadores Aon, BIG e Boyden, e a todos os participantes pela presença neste importante almoço-debate.
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