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Arquivado: Geopolítica, economia e finanças na primeira metade do século XXI com Vítor Gaspar

AmCham 75 – Conversas Transatlânticas

Geopolítica, economia e finanças na primeira metade do século XXI com Vítor Gaspar

17 de março de 2026 | Hotel SANA Malhoa

No âmbito das comemorações dos 75 anos da AmCham Portugal, realizou-se mais a primeira sessão dasConversas Transatlânticas, dedicada ao tema “Geopolítica, economia e finanças na primeira metade do século XXI”.
O evento contou com a intervenção de Vítor Gaspar, cuja experiência que cruza academia, funções governativas e liderança em instituições internacionais trouxe uma perspetiva abrangente sobre os grandes desafios económicos e geopolíticos da atualidade.
Geopolítica e Economia: Tendências Estruturais em Curso
Na sua intervenção, Vítor Gaspar destacou a importância de olhar para além do curto prazo, sublinhando que muitas das transformações atuais correspondem a tendências estruturais e não a fenómenos transitórios. Alertou para o facto de o debate em Portugal permanecer excessivamente centrado em questões domésticas, num contexto em que as dinâmicas globais assumem um peso crescente.
O orador evidenciou o aumento do risco geopolítico nas últimas décadas, recordando que, após os picos registados durante as grandes guerras mundiais, se observou uma nova intensificação a partir dos anos 90, com destaque para o período posterior aos ataques de 11 de setembro de 2001. Atualmente, conflitos como o do Médio Oriente continuam a ter impactos significativos na economia global, nomeadamente ao nível do comércio energético.
Rivalidades Globais e Reconfiguração do Poder Económico
Um dos pontos centrais da intervenção foi a análise da crescente rivalidade entre os Estados Unidos e a China. Vítor Gaspar sublinhou a deslocação progressiva do centro da economia mundial para a Ásia, num contexto em que a Europa tem registado um crescimento mais moderado.
Apesar desta reconfiguração, destacou que a dominância económica dos Estados Unidos permanece significativa, apoiada na dimensão da sua economia, na profundidade dos seus mercados financeiros e na capacidade de investimento em inovação. Por contraste, a China, embora em forte crescimento, ainda não reúne condições para rivalizar com o dólar como moeda dominante no curto prazo.
Foi também abordado o papel do euro, que tem vindo a perder algum terreno, em parte devido às limitações na integração financeira europeia. Ainda assim, foram referidas perspetivas positivas associadas aos esforços recentes no sentido do aprofundamento da União dos Mercados de Capitais.
Sistema Monetário Internacional e Transições Hegemónicas
A intervenção destacou ainda a natureza lenta e complexa das transições entre moedas dominantes, sublinhando que mudanças neste domínio implicam custos elevados e ocorrem ao longo de períodos prolongados.
Num plano mais amplo, Vítor Gaspar recordou que as transições hegemónicas no século XXI dificilmente seguirão o padrão relativamente pacífico observado na passagem da liderança britânica para a americana no século XX.
Portugal no Contexto Global
Relativamente a Portugal, foram identificados desafios estruturais ligados à competitividade e ao modelo de desenvolvimento económico. Vítor Gaspar destacou a necessidade de o país apostar em áreas de excelência com projeção internacional, bem como no reforço do ensino e da investigação como motores de crescimento sustentável.
Foi também salientada a importância de promover uma economia mais concorrencial e menos condicionada pelo peso do setor público, criando condições para uma maior dinamização do investimento e da inovação.
A sessão terminou com um período de perguntas e respostas, seguido de um momento de networking entre os participantes.
A AmCham Portugal agradece ao Prof. Vítor Gaspar e a todos os participantes pela presença nesta iniciativa integrada nas comemorações dos seus 75 anos.
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